20 dez 14

Citação – Lu Wei

“A China e os EUA não têm medo de divergências; eles temem não haver comunicação entre eles”. Lu Wei, diretor do China’s State Internet Information Office.

02 dez 14

Citação – Jerry Guo

“Se você quiser ter sucesso no mercado chinês, você precisa fazer aliados ou amigos com as agências do governo chinês”. Jerry Guo – profissional de assuntos governamentais que trabalhou em várias empresas multinacionais, como a Novartis e Microsoft.

01 dez 14

Beijing Blue

APEC.Blue

Na primeira semana de novembro de 2014 conheci o outono de Beijing. Esta época do ano é tida como uma das mais agradáveis para visitar a capital da China. O inverno já preparava a sua chegada discretamente no suave frio do dia e nas folhas amareladas das árvores. Hospedei-me no Beijing International Hotel localizado em uma das vias principais da cidade: a Jianguomen dajie (建国门大街). Era minha sétima vez em Beijing desde que cheguei na China. Mas notei que havia algo diferente no ar: o céu estava maravilhosamente azul. Esta não é a regra.

A chegada do inverno, especialmente no norte da China, é acompanhada de um fato desagradável para a população: o agravamento da poluição do ar causado não só pelas fábricas próximas e pelo elevado número de carros (só em Beijing há mais de 5.44 milhões de veículos. Em 2007, havia 2.88 milhões), mas também pelo aumento do consumo de carvão em razão dos milhões de fornos que são ativados para o aquecimento das casas. Por isto, o inverno é o pior período do ano para respirar.

A poluição do ar na China chega a cobrir, por vários meses, mais de um milhão de quilômetros quadrados do seu território. Em 2013, Beijing ficou coberta pela fumaça em 60% do ano. Logo, menos da metade dos dias do ano tiveram níveis de poluição considerados “moderados” ou “bons”[1]. Xangai, por sua vez, ficou coberta entre 30% a 50% do ano. É comum encontrar pessoas usando máscaras protetoras nas ruas. Mas não se trata de um hábito levado a sério pela maioria da população. Muitos acham que estas máscaras não evitam o ar poluído. Há algumas especiais da 3M que já vi usarem. Mas é mais raro ainda encontrar quem as use. De todo modo, como bem disse o jornal China Daily, as pessoas se tornaram “aspiradores humanos em uma metrópole poluída”.[2] A causa central desta poluição é o padrão energético da China associado ao seu rápido desenvolvimento econômico. Por quê?

30 nov 14

Nova ordem internacional chinesa?

Made.in.china

Recentemente, o jornalista da Folha de São Paulo solicitou-me um comentário sobre as novas instituições internacionais promovidas pela China e qual a repercussão para os interesses do Brasil. Em outras palavras, o que o Brasil ganha e perde (se perde) com esta estrutura internacional paralela promovida pela China. Ao invés de um breve comentário, fiz uma breve reflexão que compartilho aqui no blog. Este tema será, certamente, um dos mais recorrentes entre os que se interessam por política internacional. Aí vai:

As organizações internacionais do pós-guerra refletiram e disseminaram os valores dos EUA. O governo estadunidense identificou que o seu interesse nacional seria melhor defendido se a arquitetura institucional internacional estivesse a seu favor e sob o seu controle. A sua política externa, por força de seu inevitável impacto sobre a realidade dos demais países, se transformou, na prática, na política externa mundial.

Mas a atual estagnação de organismos internacionais centrais para a defesa desta ordem internacional estadunidense expõe uma erosão da liderança dos EUA no mundo. E, por conta disto, os países emergentes, tais como os países dos BRICS, reclamam uma reforma das instituições internacionais, em especial do FMI, do Banco Mundial e da ONU. Mas sem sucesso. O bilateralismo avança sobre o multilateralismo de objetivos mais abrangentes e audaciosos. As incertezas quanto ao futuro do mundo, potencializadas com a crise financeira de 2008, puseram os países em situação de alerta, reativos e incapazes de pensar a longo prazo, exceto a China.

Este parece ser um dos poucos países que está planejando a sua política externa a longo prazo. E o faz por meio do método pelo qual a China tornou-se famosa no Ocidente: a cópia. Mas uma cópia com “características chinesas”.

22 nov 14

Entrevista para a China Radio International

China-RadioNo dia 26 de outubro foi ao ar uma entrevista minha concedida à China Radio International (CRI). Dentre os temas abordados, eleições no Brasil e as pesquisas desenvolvidas no Centro de Estudos dos BRICS da Universidade Fudan, aqui em Xangai. A entrevista, aos 16 minutos da programação da rádio, está disponível no link: http://portuguese.cri.cn/741/2014/10/27/1s190998.htm

O site da China Radio International é uma excelente fonte de informação em língua portuguesa sobre temas relacionados à China e, ao mesmo tempo, uma fonte de informação essencial para os chineses que estão estudando o nosso idioma e querem saber mais sobre os países de língua portuguesa. Conheci alguns profissionais brasileiros e chineses que trabalham para a CRI. Todos muito profissionais e interessados em fazer deste site uma ponte essencial para a aproximação dos povos de língua portuguesa e os chineses.

04 nov 14

Citação – Wang Zhanyang

“No passado, quando eu retratei o Ocidente positivamente, algumas pessoas disseram que eu embelezava o capitalismo. Agora, quando eu faço o mesmo, eles dizem que eu sou um traidor. Neste ambiente, como pode a China abrir-se mais para o mundo exterior?” – Wang Zhanyang, professor do Instituto Central do Socialismo.

21 out 14

Citação – Richard Lim

“Eu acredito que quando comecei a vir para a China na década de 1990, eu estava, inconscientemente, tentando recuperar a minha herança chinesa. Mas sem a língua eu não poderia pretender à herança. Eu tinha lido em inglês as obras dos poetas da época da dinastia Tang como Du Fu, Li Bai e Wang Wei, mas porque eu poderia reconhecer alguns caracteres chineses eu percebi o quanto se perdia na tradução. Então, eu não era nem do Oriente nem do Ocidente – essa foi a minha angústia.” – Richard Lim, em artigo no China Daily intitulado “The anguish and the anxiety: I am neither of the East nor the West…”

08 set 14

Citação – Sun Zhenyu

“Uma conquista da China ter aderido à OMC é que ela passa a ter o direito de participar do processo de elaboração das regras”. Sun Zhenyu, ex-Embaixador da China para a Organização Mundial do Comércio, sobre o papel da China no sistema de comércio internacional.

31 ago 14

Citação – Chen Duqing

“A mídia estrangeira sempre faz reportagens distorcidas sobre a China, e é inevitável que os brasileiros sejam facilmente enganados pela opinião pública mundial. Há assimetria de informação entre a China eo Brasil. Por exemplo, nós temos enviado muitos jornalistas da Agência de Notícias Xinhua, da Central Televisão da China, do Diário do Povo, da Radio Internacional da China e da Wenweipo para ficarem baseados lá. Em comparação, o Brasil tem apenas um repórter da Folha de São Paulo baseado em Beijing”. Chen Duqing. Ex-Embaixador da China no Brasil e atual diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Academia Chinesa de Ciências Sociais.

12 ago 14

China para além dos estereótipos

Lujiazui2

Faz um ano e meio que estou na China. A minha impressão é que o tempo vivido neste país será sempre insuficiente para conhecê-lo em profundidade. Tenho encontrado muitas pessoas que se apresentam como “especialistas em China”. Surpreende-me a pretensão. Às vezes são pessoas que só vieram aqui por alguns dias ou semanas e sequer possuem um nível básico do idioma chinês. Muitos leem sobre a China em livros escritos também por pessoas que sequer passaram um ano inteiro em completa imersão cultural neste país. Além disso, há poucos livros sobre China escritos por chineses que tenham sido traduzidos para um dos idiomas ocidentais mais acessíveis para nós. As muitas obras em inglês que tratam da China foram escritas por não-chineses. E aí todo cuidado é pouco. Por quê?

Falar de um país que não o nosso nos coloca inúmeras questões. Geralmente a nossa primeira percepção sobre um país ou um povo é influenciada por estereótipos consolidados em nossa própria cultura. Por exemplo: a imagem que temos do “alemão” contrasta com a que temos do “brasileiro”. Faz pouco e vimos a Alemanha ganhar a Copa do Mundo no Brasil. Todos elogiaram o planejamento e a disciplina dos alemães como sendo o segredo do sucesso deles. Mas uma pergunta fica no ar: e se tivesse sido a Argentina a campeã? O que explicaria este eventual resultado?

Os estereótipos definem o modo como enxergamos cada um dos povos e, por contraste, a nós mesmos. Nós nos vemos ou somos visto (ou nos deixamos ser vistos) a partir de certos pontos de vista. Assim, os estrangeiros costumam “ver” o Brasil como o país do samba, do futebol e carnaval. Seríamos um povo alegre, despreocupado, quase irresponsável com seu próprio destino. Os estrangeiros desconhecem a elevada taxa de homicídio em nosso país e também o quanto somos trabalhadores. Mas ainda assim seríamos, como disse Nelson Rodrigues, uma “pátria de chuteiras”.

Quase sempre os estereótipos possuem uma forte carga de discriminação, sendo uma “ameaça” para quem dele é vítima e assim, sem querer, sabota sua própria capacidade de construir sua própria identidade. Muitas vezes, na falta de saber ver a si próprio como se é ou se quer, definimo-nos a partir do olhar (que temos) do outro. Aí é quando falar mal do outro torna-se uma estratégia para, indiretamente, dizer algo mais sobre nós mesmos. O problema está neste “algo mais”.

Qual a percepção que os brasileiros temos da China e dos chineses?