23 ago 19

Manifestações em Hong Kong

O Fantástico (Rede Globo) do dia 18 de agosto de 2019 veiculou matéria sobre as manifestações de Hong Kong e que contou com a minha participação como entrevistado. (Assista à matéria clicando aqui). A entrevista, feita em minha casa, demorou quase meia hora. Abordei diversos aspectos e lados da questão. Naturalmente, o tempo de exposição na TV é curto e as falas são inseridas no contexto da narrativa do editor. O tema é complexo e exige muita atenção para não sermos levados à conclusões orientadas por uma predisposição de julgar positivamente ou negativamente a China. No trato deste tema, é importante ter o conhecimento da Lei Básica de Hong Kong e, sobretudo, ter em conta o que estabelece o artigo 1 da Lei: “A Região Administrativa Especial de Hong Kong é uma parte inalienável da República Popular da China”. As manifestações em Hong Kong contrárias à aprovação do projeto de lei de ‘extradição’ devem ser resolvidas pela autoridade de Hong Kong. Mas, caso as manifestações redundem em demandas por independência, o governo central de Beijing poderá intervir com as forças armadas. Esta ação não seria descabida em razão do artigo 1 mencionado. 

Na sexta-feira, 23 de agosto de 2019, dei uma entrevista para a Xinhua News sobre o mesmo tema. Se publicarem a maior parte dos meus comentários, será uma matéria mais completa sobre como entendo esta questão de Hong Kong e espero compartilhar aqui no meu blog.

06 ago 19

O Cinturão e Rota na América Latina e o Brasil

 

No mês de abril passado pude participar, em Beijing, da inauguração do Belt and Road Studies Network(BRSN), um empreendimento do Instituto Xinhua e mais quinzethink tanks, que tem o objetivo de promover estudos e intercâmbios acadêmicos sobre a iniciativa Cinturão e Rota. O evento ocorreu uma semana antes do 2º Fórum do Cinturão e Rota para a Cooperação Internacionalque teve lugar também na capital chinesa e que reuniu 37 chefes de estado e de governo, além de diversas organizações internacionais. Foi, para mim, uma oportunidade para entender melhor o alcance e a importância da iniciativa, bem como a disposição do governo chinês de promovê-la de maneira aberta ao diálogo.

A expressão “Cinturão e Rota” é a forma abreviada do Cinturão Econômico da Rota da Seda e da Rota da Seda Marítima do Século 21. Ambas as iniciativas foram propostas por Xi Jinping durante a sua visita à Ásia Central e ao Sudeste Asiático, no fim de 2013, e visam criar um equivalente do século XXI da antiga Rota da Sedaque data de mais de 2000 anos atrás e que conectava, através de diversas rotas comerciais e trocas culturais, as principais civilizações da Ásia, Europa e África. Mas agora os tempos são outros e a evolução tecnológica pode fazer nascer uma nova rota global da seda.

29 abr 19

Light of Wisdom – Belt and Road

A Xinhua produziu um belíssimo documentário intitulado “Light of Wisdom – Belt and Road” que foi transmitido pela CCTV durante os dias do “2nd Belt and Road Forum for International Cooperation“, em abril deste ano. O documentário abordou o tema do Cinturão e Rota sob a perspectiva de 14 especialistas de várias partes do mundo. Fiquei muito honrado em ser um deles. Foi uma semana de gravação no Rio com a equipe de filmagem. Fizemos filmagem nos meus locais de trabalho, em Copacabana, no Jardim Botânico, na Vista Chinesa na floresta da Tijuca, na Praia do Flamengo e até em meu apartamento. Uma experiência muito gratificante. E as imagens que fizeram do Rio estão belíssimas, sobretudo aquelas com uso de drones. Espero que gostem. A minha parte tem início aos 29 minutos do episódio. Para assistir clique aqui (também disponível no YouTube clicando aqui) ou na imagem acima.

28 abr 19

40 anos de reforma e abertura

A revista China Hoje está no seu quarto ano de publicação e em todas as edições publico uma coluna abordando assuntos relacionados à China. Na edição 22 (janeiro/fevereiro) abordei os 40 anos da reforma e abertura da China que foram comemorados no ano de 2018. O texto integral pode ser acessado clicando aqui ou na foto acima que foi tirada quando visitei, no final do ano passado, a exposição em Guangzhou sobre a evolução da China de 1978 até os dias de hoje. Segurando a pá está a escultura (muito bem feita, por sinal) do Deng Xiaoping, o arquiteto da reforma e da abertura da China para o mundo.

Boa leitura!

28 abr 19

Palestra no YouTube: A Nova Era da China e o Sonho Chinês

No dia 26 de março de 2019 participei do ECOA PUC-Rio que teve como tema a CHINA! Parabéns à PUC pela iniciativa e foi um prazer participar do evento que tem um formato parecido com o TED. Eu tinha 15 minutos para falar sobre o tema que escolhi: “A Nova Era da China e o Sonho Chinês”.  Um pouco de China contemporânea, de filosofia chinesa, história, sociedade e cultura. No link vocês terão acesso a todas as palestras que foram feitas no dia. Vale a pena assistir a todas. Mas se quiser ir direto para a minha palestra, é só clicar aqui ou na imagem acima e ir direto para às 07h:04m:50s do vídeo.

Espero que gostem!

14 jan 19

Os 40 anos da China da reforma e abertura

Shenzhen – 40 anos da política de reforma e abertura na China.

Em 18 de dezembro do ano passado, a China celebrou os 40 anos da política de reforma e abertura iniciada em 1978. Depois da fundação da República Popular da China, em 1949, esta política é o evento mais importante que marca uma virada histórica nos rumos do país. Naquele ano de 1978, a economia chinesa estava em colapso após a controvertida Revolução Cultural (1966-1976). A morte de Mao Zedong, dois anos antes, mergulhara o Partido Comunista da China em um período de incertezas devido às disputas internas pelo poder e pela orientação política a ser dada para o futuro. Em meio a este contexto, a figura de destaque foi Deng Xiaoping. Após assumir a liderança do Partido, Deng defendeu uma política de reforma e abertura com o objetivo de modernizar o país. O plano de modernização se baseava, principalmente, na atração de investimentos estrangeiros. No âmbito da política externa, a China buscava equilibrar-se entre as duas superpotências da época, Estados Unidos e União Soviética, sem se alinhar a qualquer uma delas. O que prevalecia era o esforço concentrado na defesa do interesse nacional identificado com o crescimento econômico.

Deng Xiaoping sofreu resistências e enfrentou críticas dentro do Partido oriundas de pessoas que viam na sua política de reforma a abertura o risco de promover uma evolução pacífica do socialismo para o capitalismo. Entretanto, o que ali nascia era um modelo de desenvolvimento econômico peculiar que passou a ser conhecido como “socialismo com características chinesas”.

13 jan 19

Vídeo: China Hoje – 40 anos da política de reforma e abertura (Parte 2)

Neste vídeo, contamos com a participação especial de três entrevistados: Embaixador Augusto Castro Neves (Presidente do Conselho Empresarial Brasil-China), Dr. Ronaldo Veirano (Sócio fundador do Veirano Advogados) e Gabriel Guarino (campeão brasileiro e sul-americano de Wushu). Todos eles compartilharam suas visões sobre a China atual. Particularmente, é sempre uma oportunidade de aprendizado. Mesmo eu já tendo morado três anos na China e ir constantemente a este país, há muitas “Chinas” conforme a experiência, o momento e o lugar visitados por outras pessoas. Vale a pena ouvir o que os entrevistados dizem. Clique aqui para conferir.

13 jan 19

Vídeo: China Hoje – 40 anos da política de reforma e abertura (Parte 1)

No dia 15 de novembro de 2018 retornei à China pela terceira vez no ano mas agora para, dentre outras atividades, participar de uma visita à província de Guangdong, no sul da China, patrocinada pela China Today. Foram convidados jornalistas da Folha de São Paulo, do Estadão, da agência de notícias da Rússia, o amigo da China Hoje, Alfredo Nastari, e um professor da UERJ de relações internacionais. Fomos à Guangzhou, Shenzhen, Zhaoqing e Zhuhai e visitamos empresas de tecnologia chinesas e algumas zonas econômicas da região do delta do rio das pérolas. Na ocasião, gravamos um vídeo no contexto das comemorações dos 40 anos da política de reforma e abertura da China. Clique aqui para assistir.

13 jan 19

Qual o futuro do “B” e do “S” do BRICS?

Este ano, a 10ª Cúpula do BRICS será em Johanesburgo, na África do Sul e, no ano que vem, no Brasil. O “B” e o “S” estão nas extremidades do acrônimo, assumindo função de limite territorial da palavra. No centro, os “RIC”. Três potências nucleares situadas no mesmo campo geopolítico e, portanto, com muitos pontos de contato e de fricção. No ano passado, em Nova Delhi, os ministros das relações exteriores da Rússia, Índia e China reuniram-se no que foi chamado de Forum RIC. Na pauta, dentre outros assuntos, o terrorismo, as mudanças no cenário político no Oriente Médio e Norte da África e a liberdade de navegação.

Os países RIC encontraram-se novamente em junho deste ano, mas por ocasião da 18ª Cúpula da Organização para Cooperação de Shanghai (OCS) que se realizou na cidade de Qingdao, na China. A OCS, fundada em junho de 2001, tem como objetivo fortalecer a segurança e a estabilidade regional por meio do combate ao terrorismo, ao separatismo e ao extremismo no território de seus respectivos países membros, quais sejam: além de Rússia, Índia e China, o Cazaquistão, Quirguistão, Paquistão, Tajiquistão e Uzbequistão. Estes oitos países compreendem quase metade da população mundial e 20% do PIB global. Os países RIC também integram o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutrua (BAII). Fundado em 2016, o BAII conta com 86 países membros. O Brasil e a África do Sul são considerados “potenciais membros fundadores” – uma concessão diplomática especial outorgada aos dois, caso venham a aderir ao acordo que cria o BAII. Boa parte do investimento em infraestrutura oriundo deste banco tem como destino projetos relacionados à Iniciativa Um Cinturão e Rota – um ousado projeto de integração econômica regional proposto pelo governo chinês que visa promover a conectividade e a cooperação entre os países da Eurásia.

Há um arranjo estrutural bem planejado. A OCS dedica-se à defesa e à segurança para promover a estabilidade regional a longo prazo e, assim, permitir a execução dos projetos de infraestrutura, financiados pelo AIIB, para a promoção da integração econômica da região Euroasiática por meio da Iniciativa Um Cinturão e Rota. O primeiro cuida da segurança, o segundo fornece os recursos financeiros e o terceiro dedica-se a integrar econômica e comercialmente a região, lançando as bases para um desenvolvimento duradouro. Este arranjo estrutural está no cerne de dois conceitos da diplomacia chinesa.

13 jan 19

O Brasil não deve temer a China

A crise econômica brasileira e a necessidade de investimentos externos encontraram na disposição chinesa para comprar produtos e investir no Brasil a ocasião para aprofundar ainda mais a relação entre os dois países. Esta é uma oportunidade para ampliar as relações de cooperação entre os dois países.

O Brasil enfrenta desafios que são comuns à China, tais como o fato de ter um extenso território para exercer soberania, governar uma população numerosa (o Brasil é o quinto maior país do mundo em termos populacionais), problemas demográficos decorrentes do envelhecimento da população, desafios relacionados à pobreza e também à qualidade de vida nas grandes cidades, além de questões ambientais. Desde esta perspectiva, faz mais sentido estudar o que a China está fazendo para resolver os problemas nestes domínios do que estudar países desenvolvidos que enfrentam desafios de outra ordem.

Mas se há vários pontos em contato entre as realidades sino-brasileiras, há, também, uma diferença na trajetória dos dois países que salta aos olhos. Há algumas décadas eram os chineses que olhavam para a economia brasileira com certa admiração. Afinal, enquanto o Brasil construía uma cidade inteira para ser a sua capital, e a sua economia crescia mais do que a de muitos países do mundo, a China estava empobrecida e dando os seus primeiros passos na direção de uma política de reforma e abertura econômica. Agora os sinais estão trocados. No ano de 2018, a China celebrou os 40 anos daquela exitosa política e já na condição de segunda maior economia do mundo, e o Brasil ainda vive uma crise econômica agravada por um ambiente político que paralisa o país para o futuro.

Mesmo diante deste cenário, há os que sustentam que o Brasil é mais avançado que a China. Não é o que diz o relatório Doing Business do Banco Mundial.[1]