11 ago 14

Caminhos para uma nova diplomacia chinesa

BRICS.Xi.CN

Compartilho artigo meu publicado no jornal Global Times em 30 de julho de 2014. Neste texto, eu quis sublinhar a importância da diplomacia chinesa adotar uma abordagem direta com os povos dos países visitados por Xi Jinping. Dos presidentes que a China teve nesta era pós-Mao Zedong, Xi Jinping parece-me ser o mais promissor para ampliar o soft power chinês no mundo. Mas o obstáculo para isto é a tradicional diplomacia chinesa que se caracteriza por ser pouco flexível a roteiros improvisados e muito orientada para o diálogo estritamente intergovernamental.

Direct approach to ordinary Brazilians will help improve China’s soft power

The sixth BRICS summit ended with concrete achievements that pave the way for the strengthening of the group.

The establishment of the BRICS’ development bank was the most significant outcome of the event. It will provide the “big five” countries with the minimum conditions to promote their development and cope with financial crises. Moreover, it is an alternative to the IMF and the World Bank to other developing countries in need of resources.

Chinese President Xi Jinping’s trip in Brazil after the summit was not a trivial matter. After all, both countries have an ongoing strategic partnership that is under the direction of the China-Brazil High-level Coordination and Cooperation Committee.

To Brazil, China is not only the second largest global economic power, but also its largest trading partner.

Nevertheless, the Brazilian media did not pay due attention to the sixth BRICS summit or the subsequent state visit of the Chinese president. Domestic political reasons partly explain this.

11 ago 14

O lado B dos BRICS – parte 2

BRICS.2014

Mais outra matéria sobre a VI Cúpula dos BRICS publicado no Brasil Econômico e que conta com meus comentários.

BRASIL ECONÔMICO: Divergências geram tensão entre os Brics (16/07/2014)

As fotos de líderes de mãos dadas não refletem os atritos que vários temas provocam entre os países do bloco, como as pretensões comerciais da China na América Latina

Apesar do clima de ótimos amigos que os mandatários dos Brics transpareceram após a cúpula de ontem, remanesceram do encontro divergências importantes das quais os participantes não poderão se esquivar por muito tempo. Não à toa, no acordo fechado em Fortaleza, o Brasil tratou de assegurar uma equidade na participação dos integrantes dos Brics no banco de desenvolvimento. Um peso maior da China poderia fazer com que o país asiático tivesse também um poder maior de decisão sobre a gestão dos investimentos da instituição. Mas o esforço brasileiro para evitar uma hegemonia chinesa não se esgota aí. A própria realização da reunião entre os Brics e países da América do Sul, agendada para hoje em Brasília, demonstra, na visão de especialistas, uma necessidade do Brasil de marcar posição em relação à China no continente.

“O Brasil tomou a iniciativa de convocar essa reunião porque os chineses querem um acordo de livre comércio com a América Latina e o governo brasileiro tem resistido a isso. O Brasil é um país com pretensões elevadas no cenário internacional, como integrar o Conselho de Segurança da ONU, e com um peso econômico muito maior do que os demais países da região. Ele teria um peso diferenciado num acordo como esse. Por isso, tomou a iniciativa de liderar o diálogo, sem correr o risco de ser ultrapassado pela China”, afirmou o especialista em relações internacionais Evandro Menezes, professor da FGV Direito Rio e professor visitante da Fudan University (China) e Senior Scholar da Shanghai University of Finance and Economics (Programa OEA-China).

Na entrevista coletiva, a presidenta Dilma Rousseff disse que não há riscos de que a China tenha uma posição hegemônica no novo banco de desenvolvimento. “No banco dos Brics, optamos por fazer uma distribuição igualitária do capital subscrito porque nenhum de nós quis se mostrar hegemônico perante os demais”, afirmou a presidenta, acrescentando que a questão igualitária das cotas previne a possibilidade de hegemonia chinesa. Dilma acrescentou que, principalmente, Brasil e Rússia também terão elevada capacidade de contribuir financeiramente com a instituição, devido ao seu alto nível de reservas. “Eu não acredito que o formato do banco dos Brics levará a um conflito do padrão das instituições de Bretton Woods”, afirmou Dilma.

10 ago 14

O lado B dos BRICS

BRICS.image

Em julho deste ano de 2014 realizou-se a VI Cúpula dos BRICS na cidade de Fortaleza – nome bastante sugestivo para o que veio a ocorrer como resultado deste encontro: a criação do Novo Banco de Desenvolvimentos dos BRICS. Pela primeira vez, os países BRICS dão um passo importante na direção de uma institucionalização deste forum político e econômico. A imprensa brasileira destacou o fato do Brasil ter cedido à Índia a primeira presidência do Banco. A este respeito, não vejo aí nenhum sentido que desmereça a atuação do Itamaraty. A presidência do Banco será rotativa. Divulgo aqui no meu blog matéria de Mariana Mainenti e Sonia Filgueiras do jornal Brasil Econômico (publicada em 16/07/2014) que conta com a minha participação.

BRASIL ECONÔMICO: Brasil cede NBD à Índia

Novo Banco de Desenvolvimento dos Brics ficará na China. O governo brasileiro presidirá o Conselho de Administração

O Brasil acabou cedendo para que o acordo de criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o banco dos Brics, pudesse ser anunciado ontem, ao final da sexta reunião de cúpula do grupo, em Fortaleza. Após negociações ao longo da terça-feira entre os cinco países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o governo brasileiro, que chegou a aspirar a primeira presidência da instituição, abriu mão do pleito em favor da Índia, que disputava a sede com a China. O Brasil cedeu a partir de um pedido dos próprios indianos, que passaram a considerar a presidência uma alternativa, já que a China mostrava forte interesse em sediar a instituição.

26 jun 14

Citação – Yu Guoming

“Se os principais fornecedores de conteúdo não têm a Internet como um canal, encontrarão dificuldades para perceber sua influência social e valores comerciais”. Yu Guoming, Vice Presidente da Escola de Jornalismo e Comunicação da “Renmin University of China”, sobre as relações entre a mídia tradicional e a nova mídia.

31 maio 14

Citação – Wang Anshun

“Com um amplo espectro de superpopulação, poluição do ar, tráfego congestionado e aumento dos preços de habitação, Pequim está sofrendo de uma doença urbana”. Wang Anshun – Prefeito de Pequim.

31 maio 14

Citação – Yan Xuetong

“Os recentes atritos no desenvolvimento de laços sino-estadounidenses podem ser parcialmente atribuídos à falta de experiência na construção de um novo tipo de relações entre grande potências”. Yan Xuetong, professor da Universidade Tsinghua, sobre o desenvolvimento das relações China-Estados Unidos desde o encontro de Obama e Xi Jinping em junho de 2013.

15 maio 14

Citação – Qin Gang

“Não importa se ele vem ou não, a China fica onde está”. Qin Gang, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, sobre o fato do Presidente estadunidense Barack Obama não ter ido à China durante sua viagem para a Ásia.

10 abr 14

Citação – Justin Yifu

“Eu acredito que até o ano de 2020 ou 2030, haverá três grandes moedas de reserva internacionais. O dólar dos EUA permanecerá como uma moeda de reserva internacional. Os outros dois são o euro e o renminbi”. Justin Yifu, ex-economista chefe do Banco Mundial, no Boao Forum for Asia 2014.

27 mar 14

Citação – Global Times

“O Ocidente já não pode dar ordens ao mundo. Se o Ocidente se agarrar firmemente à doutrina de que os seus interesses têm precedência sobre os outros, ele será carregado de riscos e perigos”. Editorial do jornal Global Times, de 26 de março de 2014, sob o título “West overreaching itself on Russia” (O Ocidente passando por cima da Rússia).

27 mar 14

Citação – Jin Canrong

“Um consequência das revelações de Snowden é uma melhor posição para a China em sua luta com os EUA sobre acusações de pirataria chinesa”. Jin Canrong, diretor associado da Escola de Estudos Internacionais, da Renmin University of China (Universidade do Povo da China).