28 abr 19

Palestra no YouTube: A Nova Era da China e o Sonho Chinês

No dia 26 de março de 2019 participei do ECOA PUC-Rio que teve como tema a CHINA! Parabéns à PUC pela iniciativa e foi um prazer participar do evento que tem um formato parecido com o TED. Eu tinha 15 minutos para falar sobre o tema que escolhi: “A Nova Era da China e o Sonho Chinês”.  Um pouco de China contemporânea, de filosofia chinesa, história, sociedade e cultura. No link vocês terão acesso a todas as palestras que foram feitas no dia. Vale a pena assistir a todas. Mas se quiser ir direto para a minha palestra, é só clicar aqui ou na imagem acima e ir direto para às 07h:04m:50s do vídeo.

Espero que gostem!

14 jan 19

Os 40 anos da China da reforma e abertura

Shenzhen – 40 anos da política de reforma e abertura na China.

Em 18 de dezembro do ano passado, a China celebrou os 40 anos da política de reforma e abertura iniciada em 1978. Depois da fundação da República Popular da China, em 1949, esta política é o evento mais importante que marca uma virada histórica nos rumos do país. Naquele ano de 1978, a economia chinesa estava em colapso após a controvertida Revolução Cultural (1966-1976). A morte de Mao Zedong, dois anos antes, mergulhara o Partido Comunista da China em um período de incertezas devido às disputas internas pelo poder e pela orientação política a ser dada para o futuro. Em meio a este contexto, a figura de destaque foi Deng Xiaoping. Após assumir a liderança do Partido, Deng defendeu uma política de reforma e abertura com o objetivo de modernizar o país. O plano de modernização se baseava, principalmente, na atração de investimentos estrangeiros. No âmbito da política externa, a China buscava equilibrar-se entre as duas superpotências da época, Estados Unidos e União Soviética, sem se alinhar a qualquer uma delas. O que prevalecia era o esforço concentrado na defesa do interesse nacional identificado com o crescimento econômico.

Deng Xiaoping sofreu resistências e enfrentou críticas dentro do Partido oriundas de pessoas que viam na sua política de reforma a abertura o risco de promover uma evolução pacífica do socialismo para o capitalismo. Entretanto, o que ali nascia era um modelo de desenvolvimento econômico peculiar que passou a ser conhecido como “socialismo com características chinesas”.

13 jan 19

Vídeo: China Hoje – 40 anos da política de reforma e abertura (Parte 2)

Neste vídeo, contamos com a participação especial de três entrevistados: Embaixador Augusto Castro Neves (Presidente do Conselho Empresarial Brasil-China), Dr. Ronaldo Veirano (Sócio fundador do Veirano Advogados) e Gabriel Guarino (campeão brasileiro e sul-americano de Wushu). Todos eles compartilharam suas visões sobre a China atual. Particularmente, é sempre uma oportunidade de aprendizado. Mesmo eu já tendo morado três anos na China e ir constantemente a este país, há muitas “Chinas” conforme a experiência, o momento e o lugar visitados por outras pessoas. Vale a pena ouvir o que os entrevistados dizem. Clique aqui para conferir.

13 jan 19

Vídeo: China Hoje – 40 anos da política de reforma e abertura (Parte 1)

No dia 15 de novembro de 2018 retornei à China pela terceira vez no ano mas agora para, dentre outras atividades, participar de uma visita à província de Guangdong, no sul da China, patrocinada pela China Today. Foram convidados jornalistas da Folha de São Paulo, do Estadão, da agência de notícias da Rússia, o amigo da China Hoje, Alfredo Nastari, e um professor da UERJ de relações internacionais. Fomos à Guangzhou, Shenzhen, Zhaoqing e Zhuhai e visitamos empresas de tecnologia chinesas e algumas zonas econômicas da região do delta do rio das pérolas. Na ocasião, gravamos um vídeo no contexto das comemorações dos 40 anos da política de reforma e abertura da China. Clique aqui para assistir.

13 jan 19

Qual o futuro do “B” e do “S” do BRICS?

Este ano, a 10ª Cúpula do BRICS será em Johanesburgo, na África do Sul e, no ano que vem, no Brasil. O “B” e o “S” estão nas extremidades do acrônimo, assumindo função de limite territorial da palavra. No centro, os “RIC”. Três potências nucleares situadas no mesmo campo geopolítico e, portanto, com muitos pontos de contato e de fricção. No ano passado, em Nova Delhi, os ministros das relações exteriores da Rússia, Índia e China reuniram-se no que foi chamado de Forum RIC. Na pauta, dentre outros assuntos, o terrorismo, as mudanças no cenário político no Oriente Médio e Norte da África e a liberdade de navegação.

Os países RIC encontraram-se novamente em junho deste ano, mas por ocasião da 18ª Cúpula da Organização para Cooperação de Shanghai (OCS) que se realizou na cidade de Qingdao, na China. A OCS, fundada em junho de 2001, tem como objetivo fortalecer a segurança e a estabilidade regional por meio do combate ao terrorismo, ao separatismo e ao extremismo no território de seus respectivos países membros, quais sejam: além de Rússia, Índia e China, o Cazaquistão, Quirguistão, Paquistão, Tajiquistão e Uzbequistão. Estes oitos países compreendem quase metade da população mundial e 20% do PIB global. Os países RIC também integram o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutrua (BAII). Fundado em 2016, o BAII conta com 86 países membros. O Brasil e a África do Sul são considerados “potenciais membros fundadores” – uma concessão diplomática especial outorgada aos dois, caso venham a aderir ao acordo que cria o BAII. Boa parte do investimento em infraestrutura oriundo deste banco tem como destino projetos relacionados à Iniciativa Um Cinturão e Rota – um ousado projeto de integração econômica regional proposto pelo governo chinês que visa promover a conectividade e a cooperação entre os países da Eurásia.

Há um arranjo estrutural bem planejado. A OCS dedica-se à defesa e à segurança para promover a estabilidade regional a longo prazo e, assim, permitir a execução dos projetos de infraestrutura, financiados pelo AIIB, para a promoção da integração econômica da região Euroasiática por meio da Iniciativa Um Cinturão e Rota. O primeiro cuida da segurança, o segundo fornece os recursos financeiros e o terceiro dedica-se a integrar econômica e comercialmente a região, lançando as bases para um desenvolvimento duradouro. Este arranjo estrutural está no cerne de dois conceitos da diplomacia chinesa.

13 jan 19

O Brasil não deve temer a China

A crise econômica brasileira e a necessidade de investimentos externos encontraram na disposição chinesa para comprar produtos e investir no Brasil a ocasião para aprofundar ainda mais a relação entre os dois países. Esta é uma oportunidade para ampliar as relações de cooperação entre os dois países.

O Brasil enfrenta desafios que são comuns à China, tais como o fato de ter um extenso território para exercer soberania, governar uma população numerosa (o Brasil é o quinto maior país do mundo em termos populacionais), problemas demográficos decorrentes do envelhecimento da população, desafios relacionados à pobreza e também à qualidade de vida nas grandes cidades, além de questões ambientais. Desde esta perspectiva, faz mais sentido estudar o que a China está fazendo para resolver os problemas nestes domínios do que estudar países desenvolvidos que enfrentam desafios de outra ordem.

Mas se há vários pontos em contato entre as realidades sino-brasileiras, há, também, uma diferença na trajetória dos dois países que salta aos olhos. Há algumas décadas eram os chineses que olhavam para a economia brasileira com certa admiração. Afinal, enquanto o Brasil construía uma cidade inteira para ser a sua capital, e a sua economia crescia mais do que a de muitos países do mundo, a China estava empobrecida e dando os seus primeiros passos na direção de uma política de reforma e abertura econômica. Agora os sinais estão trocados. No ano de 2018, a China celebrou os 40 anos daquela exitosa política e já na condição de segunda maior economia do mundo, e o Brasil ainda vive uma crise econômica agravada por um ambiente político que paralisa o país para o futuro.

Mesmo diante deste cenário, há os que sustentam que o Brasil é mais avançado que a China. Não é o que diz o relatório Doing Business do Banco Mundial.[1]

12 jan 19

A nova era da sabedoria e do método do socialismo chinês

 

Presidente chinês Xi Jinping.

No 19º Congresso Nacional do Partido Comunista da China (PCCh), que se realizou em outubro de 2017, o Presidente Xi Jinping anunciou um “socialismo com características chinesas para uma nova era”. Este conceito foi inserido na Constituição do país após aprovação da primeira sessão da 13ª Assembleia Nacional Popular, realizada em março de 2018. A expressão abrange um conjunto de ideias orientadoras para a governança da China.

Falar em uma “nova era” pressupõe o fim de outra. Entretanto, qual era se finda? Aquela iniciada por Deng Xiaoping com a política de reforma e abertura? Ou aquela iniciada por Mao Zedong com a fundação da República Popular da China? Ou poderíamos dizer que a “antiga era” compreende um espaço de tempo mais amplo que tem o seu início com as invasões estrangeiras durante o período da dinastia Qing no século XIX e que fizeram a China perder o posto de maior economia do mundo?

Sob o ponto de vista de um observador estrangeiro, eu gostaria de sublinhar quatro aspectos que me parecem ser “pontos de referência” importantes no contexto dos discursos proferidos por Xi Jinping que podem nos ajudar a entender o significado e a relevância desta nova era do socialismo chinês.

04 out 18

China e a OMC frente ao protecionismo

A guerra comercial iniciada pelos EUA contra a China é o primeiro capítulo de um embate entre as duas potências que se estenderá para outros domínios. Quando esta chamada “guerra comercial” estourou, dei esta entrevista para a China Today e que está disponível clicando aqui.

02 out 18

“Cinturão e Rota” na América Latina

Recentemente foi lançado, na China, a obra “一带一路和拉丁美洲新机遇与新挑战” (Cinturão e Rota e América Latina, novas oportunidades e novos desafios), organizado pelo amigo Guo Cunhai. Neste livro, escrevi um artigo em conjunto com a profa. Rubia Wegner intitulado “丝绸之路穿越大西洋及其对巴西的影响” (Cinturão e Rota alcança o Atlântico e seu impacto sobre o Brasil).

Em 2013 a Iniciativa Cinturão e Rota foi lançada pelo Presidente Xi Jinping. Eu estava iniciando meu primeiro ano (de três) morando na China. E no Brasil este era um assunto desconhecido. E assim permaneceu praticamente até meu retorno ao Brasil. Hoje em dia, o tema “Cinturão e Rota” já começa a ganhar as páginas de jornais e revistas impressas e online brasileiras.

Este artigo está sendo atualizado para uma verão em português que esperamos publicar em breve.

 

20 set 18

Guerra comercial dos EUA contra a China

Volto a escrever para o meu blog depois de um longo tempo de silêncio aqui, mas não fora daqui. Tenho me ocupado de inúmeros projetos e atividades desde que retornei ao Brasil depois da temporada chinesa de três anos. Retomo com este link para uma entrevista que dei para a CBN no dia 18 de setembro de 2018 sobre a “guerra comercial entre EUA e China”. Esta é a expressão mais comum para designar um conflito comercial inédito entre as duas maiores economias. Mas um conflito levado a efeito pelos EUA. Assim, prefiro a forma do título que dei a este post pois evidencia o fato central: a guerra foi iniciada pelo governo Trump. A China está na posição de quem exerce, por assim dizer, a sua legítima defesa. E no plano do comércio internacional, a legítima defesa é a retaliação comercial. Para saber um pouco mais da minha opinião sobre o tema, sugiro ouvir a entrevista na CBN clicando aqui. Abraços!