08 set 14

Citação – Sun Zhenyu

“Uma conquista da China ter aderido à OMC é que ela passa a ter o direito de participar do processo de elaboração das regras”. Sun Zhenyu, ex-Embaixador da China para a Organização Mundial do Comércio, sobre o papel da China no sistema de comércio internacional.

31 ago 14

Citação – Chen Duqing

“A mídia estrangeira sempre faz reportagens distorcidas sobre a China, e é inevitável que os brasileiros sejam facilmente enganados pela opinião pública mundial. Há assimetria de informação entre a China eo Brasil. Por exemplo, nós temos enviado muitos jornalistas da Agência de Notícias Xinhua, da Central Televisão da China, do Diário do Povo, da Radio Internacional da China e da Wenweipo para ficarem baseados lá. Em comparação, o Brasil tem apenas um repórter da Folha de São Paulo baseado em Beijing”. Chen Duqing. Ex-Embaixador da China no Brasil e atual diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Academia Chinesa de Ciências Sociais.

12 ago 14

China para além dos estereótipos

Lujiazui2

Faz um ano e meio que estou na China. A minha impressão é que o tempo vivido neste país será sempre insuficiente para conhecê-lo em profundidade. Tenho encontrado muitas pessoas que se apresentam como “especialistas em China”. Surpreende-me a pretensão. Às vezes são pessoas que só vieram aqui por alguns dias ou semanas e sequer possuem um nível básico do idioma chinês. Muitos leem sobre a China em livros escritos também por pessoas que sequer passaram um ano inteiro em completa imersão cultural neste país. Além disso, há poucos livros sobre China escritos por chineses que tenham sido traduzidos para um dos idiomas ocidentais mais acessíveis para nós. As muitas obras em inglês que tratam da China foram escritas por não-chineses. E aí todo cuidado é pouco. Por quê?

Falar de um país que não o nosso nos coloca inúmeras questões. Geralmente a nossa primeira percepção sobre um país ou um povo é influenciada por estereótipos consolidados em nossa própria cultura. Por exemplo: a imagem que temos do “alemão” contrasta com a que temos do “brasileiro”. Faz pouco e vimos a Alemanha ganhar a Copa do Mundo no Brasil. Todos elogiaram o planejamento e a disciplina dos alemães como sendo o segredo do sucesso deles. Mas uma pergunta fica no ar: e se tivesse sido a Argentina a campeã? O que explicaria este eventual resultado?

Os estereótipos definem o modo como enxergamos cada um dos povos e, por contraste, a nós mesmos. Nós nos vemos ou somos visto (ou nos deixamos ser vistos) a partir de certos pontos de vista. Assim, os estrangeiros costumam “ver” o Brasil como o país do samba, do futebol e carnaval. Seríamos um povo alegre, despreocupado, quase irresponsável com seu próprio destino. Os estrangeiros desconhecem a elevada taxa de homicídio em nosso país e também o quanto somos trabalhadores. Mas ainda assim seríamos, como disse Nelson Rodrigues, uma “pátria de chuteiras”.

Quase sempre os estereótipos possuem uma forte carga de discriminação, sendo uma “ameaça” para quem dele é vítima e assim, sem querer, sabota sua própria capacidade de construir sua própria identidade. Muitas vezes, na falta de saber ver a si próprio como se é ou se quer, definimo-nos a partir do olhar (que temos) do outro. Aí é quando falar mal do outro torna-se uma estratégia para, indiretamente, dizer algo mais sobre nós mesmos. O problema está neste “algo mais”.

Qual a percepção que os brasileiros temos da China e dos chineses?

11 ago 14

Caminhos para uma nova diplomacia chinesa

BRICS.Xi.CN

Compartilho artigo meu publicado no jornal Global Times em 30 de julho de 2014. Neste texto, eu quis sublinhar a importância da diplomacia chinesa adotar uma abordagem direta com os povos dos países visitados por Xi Jinping. Dos presidentes que a China teve nesta era pós-Mao Zedong, Xi Jinping parece-me ser o mais promissor para ampliar o soft power chinês no mundo. Mas o obstáculo para isto é a tradicional diplomacia chinesa que se caracteriza por ser pouco flexível a roteiros improvisados e muito orientada para o diálogo estritamente intergovernamental.

Direct approach to ordinary Brazilians will help improve China’s soft power

The sixth BRICS summit ended with concrete achievements that pave the way for the strengthening of the group.

The establishment of the BRICS’ development bank was the most significant outcome of the event. It will provide the “big five” countries with the minimum conditions to promote their development and cope with financial crises. Moreover, it is an alternative to the IMF and the World Bank to other developing countries in need of resources.

Chinese President Xi Jinping’s trip in Brazil after the summit was not a trivial matter. After all, both countries have an ongoing strategic partnership that is under the direction of the China-Brazil High-level Coordination and Cooperation Committee.

To Brazil, China is not only the second largest global economic power, but also its largest trading partner.

Nevertheless, the Brazilian media did not pay due attention to the sixth BRICS summit or the subsequent state visit of the Chinese president. Domestic political reasons partly explain this.

11 ago 14

O lado B dos BRICS – parte 2

BRICS.2014

Mais outra matéria sobre a VI Cúpula dos BRICS publicado no Brasil Econômico e que conta com meus comentários.

BRASIL ECONÔMICO: Divergências geram tensão entre os Brics (16/07/2014)

As fotos de líderes de mãos dadas não refletem os atritos que vários temas provocam entre os países do bloco, como as pretensões comerciais da China na América Latina

Apesar do clima de ótimos amigos que os mandatários dos Brics transpareceram após a cúpula de ontem, remanesceram do encontro divergências importantes das quais os participantes não poderão se esquivar por muito tempo. Não à toa, no acordo fechado em Fortaleza, o Brasil tratou de assegurar uma equidade na participação dos integrantes dos Brics no banco de desenvolvimento. Um peso maior da China poderia fazer com que o país asiático tivesse também um poder maior de decisão sobre a gestão dos investimentos da instituição. Mas o esforço brasileiro para evitar uma hegemonia chinesa não se esgota aí. A própria realização da reunião entre os Brics e países da América do Sul, agendada para hoje em Brasília, demonstra, na visão de especialistas, uma necessidade do Brasil de marcar posição em relação à China no continente.

“O Brasil tomou a iniciativa de convocar essa reunião porque os chineses querem um acordo de livre comércio com a América Latina e o governo brasileiro tem resistido a isso. O Brasil é um país com pretensões elevadas no cenário internacional, como integrar o Conselho de Segurança da ONU, e com um peso econômico muito maior do que os demais países da região. Ele teria um peso diferenciado num acordo como esse. Por isso, tomou a iniciativa de liderar o diálogo, sem correr o risco de ser ultrapassado pela China”, afirmou o especialista em relações internacionais Evandro Menezes, professor da FGV Direito Rio e professor visitante da Fudan University (China) e Senior Scholar da Shanghai University of Finance and Economics (Programa OEA-China).

Na entrevista coletiva, a presidenta Dilma Rousseff disse que não há riscos de que a China tenha uma posição hegemônica no novo banco de desenvolvimento. “No banco dos Brics, optamos por fazer uma distribuição igualitária do capital subscrito porque nenhum de nós quis se mostrar hegemônico perante os demais”, afirmou a presidenta, acrescentando que a questão igualitária das cotas previne a possibilidade de hegemonia chinesa. Dilma acrescentou que, principalmente, Brasil e Rússia também terão elevada capacidade de contribuir financeiramente com a instituição, devido ao seu alto nível de reservas. “Eu não acredito que o formato do banco dos Brics levará a um conflito do padrão das instituições de Bretton Woods”, afirmou Dilma.

10 ago 14

O lado B dos BRICS

BRICS.image

Em julho deste ano de 2014 realizou-se a VI Cúpula dos BRICS na cidade de Fortaleza – nome bastante sugestivo para o que veio a ocorrer como resultado deste encontro: a criação do Novo Banco de Desenvolvimentos dos BRICS. Pela primeira vez, os países BRICS dão um passo importante na direção de uma institucionalização deste forum político e econômico. A imprensa brasileira destacou o fato do Brasil ter cedido à Índia a primeira presidência do Banco. A este respeito, não vejo aí nenhum sentido que desmereça a atuação do Itamaraty. A presidência do Banco será rotativa. Divulgo aqui no meu blog matéria de Mariana Mainenti e Sonia Filgueiras do jornal Brasil Econômico (publicada em 16/07/2014) que conta com a minha participação.

BRASIL ECONÔMICO: Brasil cede NBD à Índia

Novo Banco de Desenvolvimento dos Brics ficará na China. O governo brasileiro presidirá o Conselho de Administração

O Brasil acabou cedendo para que o acordo de criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o banco dos Brics, pudesse ser anunciado ontem, ao final da sexta reunião de cúpula do grupo, em Fortaleza. Após negociações ao longo da terça-feira entre os cinco países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o governo brasileiro, que chegou a aspirar a primeira presidência da instituição, abriu mão do pleito em favor da Índia, que disputava a sede com a China. O Brasil cedeu a partir de um pedido dos próprios indianos, que passaram a considerar a presidência uma alternativa, já que a China mostrava forte interesse em sediar a instituição.

26 jun 14

Citação – Yu Guoming

“Se os principais fornecedores de conteúdo não têm a Internet como um canal, encontrarão dificuldades para perceber sua influência social e valores comerciais”. Yu Guoming, Vice Presidente da Escola de Jornalismo e Comunicação da “Renmin University of China”, sobre as relações entre a mídia tradicional e a nova mídia.

31 maio 14

Citação – Wang Anshun

“Com um amplo espectro de superpopulação, poluição do ar, tráfego congestionado e aumento dos preços de habitação, Pequim está sofrendo de uma doença urbana”. Wang Anshun – Prefeito de Pequim.

31 maio 14

Citação – Yan Xuetong

“Os recentes atritos no desenvolvimento de laços sino-estadounidenses podem ser parcialmente atribuídos à falta de experiência na construção de um novo tipo de relações entre grande potências”. Yan Xuetong, professor da Universidade Tsinghua, sobre o desenvolvimento das relações China-Estados Unidos desde o encontro de Obama e Xi Jinping em junho de 2013.

15 maio 14

Citação – Qin Gang

“Não importa se ele vem ou não, a China fica onde está”. Qin Gang, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, sobre o fato do Presidente estadunidense Barack Obama não ter ido à China durante sua viagem para a Ásia.