Os 95 anos do Partido Comunista da China

out 12, 2016

Imagem.95AnosPCCh

Em 1o de julho deste ano celebrou-se o 95o aniversário do Partido Comunista da China (PCCh). Trata-se do maior partido governante do mundo com mais de 88 milhões de membros e 4.4 milhões de organizações. É um número notável quando se sabe que o partido foi fundado por pouco mais de 50 membros em 1921. Para além destes números extraordinários, a história do PCCh e de seus líderes é também uma digna epopeia. Um dos seus momentos principais é o da fundação da República Popular da China, em 1949. Governando o país há 67 anos, o PCCh transformou a China de uma sociedade rural e economicamente atrasada para uma sociedade moderna, majoritariamente urbana, científica e tecnologicamente desenvolvida, que retirou 600 milhões de pessoas da pobreza nos últimos anos e que se transformou na segunda maior economia do mundo.

Daqui a cinco anos será celebrado o centenário do PCCh e, até lá, a meta é fazer com que a China torne-se uma sociedade moderadamente próspera. Sabemos que o gigante asiático entra numa fase de seu desenvolvimento econômico que tem sido chamado de “nova normalidade”, caracterizado por um crescimento mais lento e uma necessária restruturação de sua economia. O fato é que aquela meta depende da qualidade da governança exercida pelo PCCh. Para isto, o Partido tem tomado medidas importantes. Destaco, aqui, duas delas: a primeira, o combate à corrupção dentro dos seus quadros e, a segunda consiste na qualificação do sistema de recrutamento de novos membros.

O combate à corrupção tornou-se uma prioridade no governo do Presidente Xi Jinping pois ela é vista como a principal ameaça para o Partido na medida em que, se não coibida, corroerá a sua legitimidade perante a sociedade chinesa. Além disso, a corrupção gera externalidades negativas sobre a economia, agravando ainda mais as dificuldades a serem enfrentadas no contexto da “nova normalidade”. Por este motivo, cada vez mais mecanismos de responsabilização passam a desempenhar um papel importante na execução das políticas governamentais. No discurso que proferiu por ocasião do 95o aniversário do PCCh, Xi Jinping cita o seguinte provérbio chinês: “Se não podemos nos comportar com honestidade, como podemos pedir aos outros que sejam honestos?”. Eis um princípio básico de boa governança que deveria ser universal e praticado por todas as sociedades que queiram ser desenvolvidas. Aliás, país “desenvolvido” não é somente aquele que é economicamente rico, mas o que tem uma cultura ética elevada.

No que diz respeito à qualificação dos membros, o PCCh tem adotado um processo de recrutamento mais competitivo que leva em conta a diversidade e a qualidade dos candidatos. Segundo matéria publicada no China Daily, 44,3% dos membros do Partido têm grau de bacharel ou superior. Em 2006 eram 30,7%. O percentual de membros com até 35 anos de idade é de 25,4%, um aumento de 2,1% se comparado com dez anos atrás. Além disso, a proporção de mulheres cresceu de 19,7% em 2006 para os atuais 25,1%.[1] Numa longa matéria publicada pelo Global Times em 30 de julho de 2015, e que tinha como título “Talents return for Party”, discutiu-se como a China poderia aumentar a participação no governo dos estudantes chineses que estudam no exterior. “Ao trazê-los para dentro da administração, além dos setores de pesquisa científica e negócios, o governo espera adicionar vigor para o desenvolvimento social e econômico da China”. Esta iniciativa converge com o modelo de desenvolvimento científico adotado no país. Por fim, virtude e talento são também parâmetros importantes para a avaliação dos membros, estando a virtude em primeiro lugar – foi o que afirmou o Sr. Dai Xiaoshu, ex-Vice diretor do escritório de recrutamento do departamento de organização do Comitê Central do PCCh, em uma recente entrevista concedida para o programa “Closer to China” da CCTV News.

O Presidente Xi Jinping lembrou que o socialismo com características chinesas deve ser avaliado não só por “pessoas com óculos escuros”, mas pelos chineses e baseado nos fatos. Em outras palavras, as políticas adotadas pelo PCCh devem ter impacto positivo na vida das pessoas e ter a aprovação delas. Se o Partido continuar nesta direção, terá muitas razões para celebrar o seu centenário.

* artigo originalmente publicado na revista China Hoje.


[1] China Daily. “CPC membership becomes more diverse”. Publicado em 1 de julho de 2016.

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